Citando o legado de Isabel Campos e o Projeto João de Barro, o parlamentar aponta que a riqueza econômica do estado não pode ignorar o déficit habitacional.
O deputado Júlio Campos afirma que seguirá lutando pela construção de 110 mil novas casas em Mato Grosso. Recursos do Fethab e apoio federal estarão no foco desses investimentos.
Júlio Campos relembra que com muito menos recursos, foi o responsável por um dos maiores programas habitacionais de Mato Grosso. Para o parlamentar, não há justificativas para a construção de moradias populares não terem acompanhado o crescimento econômico de Mato Grosso.
“No meu governo, tínhamos um PIB 315% menor do que o atual, não chegava a 1 bilhão, e construímos 35 mil casas. Hoje, o PIB é de R$ 273 bilhões, é totalmente possível fazer 110 mil casas. E ainda há recursos destinados que não estão sendo usados, como o Fethab. Dá para fazer casas sim e tirar muitas famílias do aperto do aluguel”, afirma Júlio Campos.
O deputado relembra a iniciativa da saudosa professora Isabel Campos, um exemplo de que com pouco, muito pode ser feito. “A professora Isabel, em 1984, lançou o ‘João de Barro’, e em um fim de semana se erguiam dezenas de casas. Fazíamos milagre com o que nem existia, e mesmo assim foram 35 mil casas em menos de três anos! Claro que a base disso tudo foi a mente e a força de Isabel, uma mulher que era mestra em literatura mato-grossense e ajudou a fundar a UFMT.”, relembra Júlio Campos.
O Projeto João de Barro foi uma importante iniciativa de habitação popular idealizada e coordenada pela Professora Isabel Campos, ex-primeira-dama do Estado e esposa do deputado Júlio Campos, falecida em 2008, vítima de câncer.

Isabel Campos foi uma das mais ativas figuras femininas da política mato-grossense. Coordenou a campanha ao governo em 1983 e, com a posse de Júlio Campos, assumiu a presidência da Fundação de Promoção Social (ProSol). Tendo como lema “ensinar a pescar e não dar o peixe”, abandonou o caráter assistencialista da instituição e implantou arrojados programas de promoção social, geração de renda e habitação. O mutirão de construção de casas em loteamentos populares, batizado como “Projeto João de Barro”, foi uma dessas iniciativas.
O programa deixou um grande legado no estado durante a década de 1980, como a construção de casas no bairro Osmar Cabral (1985), batizado em homenagem ao fotojornalista que trabalhou na campanha de 1983 e faleceu vítima de um acidente aéreo.
O bairro nasceu de uma doação de fundos para a compra do terreno, que foi ocupado pelas famílias carentes e urbanizado com apoio do governo de Júlio Campos.
“Um estado rico como Mato Grosso tem obrigação de reduzir ou até zerar o atual déficit habitacional. Não podemos ser um estado onde poucos bilionários vivem em palácios e o povo em bolsões de miséria”, defende Júlio Campos.
Para o Senador Jayme Campos, é inadmissível que Mato Grosso tenha abandonado os programas de habitação popular. “O que vemos hoje, que é dito como programa habitacional, na verdade é um financiamento. O que se proporciona é uma forma de fazer o cidadão pagar pelo terreno e pela casa de forma facilitada, mas não há uma ação como era nos governos de Jayme e Júlio, que ao menos o lote era gratuito. Temos um déficit habitacional de 110 mil casas, em um estado que é o maior produtor de grãos e que tem o maior rebanho bovino do país, isso é inadmissível”.


