Os mapas e indicadores do Clima são frutos de três anos de debates realizados por mais de 50 pesquisadores e representantes da sociedade civil na ALMT
A publicação “Indicadores do Clima em Mato Grosso”, será lançado pelo Instituto Inca, com apoio do deputado Júlio Campos e da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia e Inovação (Secitec), às 10h do dia 01 de junho, na sala 227, Auditório Oscar Soares, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
A publicação é um dos resultados da SEMC-ALMT, a Câmara Setorial Temática de Mudanças Climáticas da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, liderada entre 2023 e 2024 pelo deputado Júlio Campo, com as parlamentares Janaína Riva e Sheila Klenner, e a colaboração ativa dos seus membros; Aluisio Metelo Jr, Ben Hur Marimon Jr, Caiubi Emanuel de Souza Kuhn, Cátia Nunes da Cunha, Carolina Joana da Silva, Eduardo Cairo Chiletto, Felipe Augusto Dias, Juliana Arini, Tânia Mara Arantes Figueira e Vivaldo Marcório. A edição técnica e o georreferenciamento foram realizados pelo engenheiro João de Paula Liparotti.
Os possíveis cenários são apresentados na forma de gráficos e mais de 18 mapas que demonstram como a crise climática pode impactar especificamente Mato Grosso, entre 2030 e 2050, com e sem as medidas de adaptação e mitigação do aumento da temperatura global. O foco destes indicadores foram as secas, as ondas de calor, o impacto nas cidades, na saúde e na infraestrutura logística.
O trabalho traz informações sobre o que é a crise climática, quais são os fatores que desencadeiam esse problema global, e como os diversos cenários de aumento da temperatura média global acima de 1,5 Graus Celsius poderá afetar Mato Grosso. Também é evidenciado a partir de alertas feitos pelo Prêmio Nobel da Paz, o pesquisador Carlos Nobre, que abriu os trabalhos da SEMC-Almt, com uma apresentação sobre as consequências do “novo normal”, nome atribuído ao momento presente.
“Nos anos 1990, a Amazônia removia mais de 1,5 bilhão de toneladas de gás carbônico da atmosfera por ano, e hoje a floresta está se transformando em uma fonte de emissão de carbono. Se o clima continuar esquentando e a degradação seguir no mesmo ritmo, daqui a 50 anos poderemos perder até 70% da floresta. Isso vai acabar com a maior biodiversidade do planeta e também vai jogar na atmosfera 250, 300 bilhões de toneladas de gás carbônico, tornando muito mais difícil manter a temperatura em 1,5 grau Celsius, para não dizer praticamente impossível”, afirmou Carlos Nobre.
O trabalho é um recorte dos dados obtidos com o refinamento de informações do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (IPCC/ONU) e dezenas de estudos científicos que focam nas estimativas para Mato Grosso.
O objetivo da publicação é ser um guia para a produção de novas Legislações e Políticas Públicas no estado e nos 142 municípios mato-grossenses com foco em áreas prioritárias, como combate aos incêndios florestais, infraestrutura das cidades, logística e saúde pública.
A Crise Climática em Mato Grosso

No livro é possível verificar que o combate às queimadas, a urgente adaptação das cidades para ondas de calor e eventos extremos (chuvas) cada vez mais recorrentes – secas e inundações – bem como a adaptação da agropecuária devem ser o foco das políticas públicas no estado.
“Temos menos de cinco anos para que o Acordo de Paris acabe, e pouquíssimos países cumpriram suas metas. Para enfrentarmos um mundo com mais doenças e extremos do clima, com ondas de calor que vão castigar sobretudo a população mais vulnerável, vamos ter que envolver o poder público, e nesse contexto os deputados estaduais têm um papel crucial”, afirma o deputado Júlio Campos.
Parte do trabalho já foi apresentado na COP-30, que aconteceu em novembro em Belém, no Pará, pela secretária da SEMC-Almt, Juliana Arini. A participação do legislativo mato-grossense nas discussões e implementação das metas, ações de mitigação e adaptação esteve no foco dos debates durante o Painel Parlamento e Clima, promovido pela União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais, Unale, entidade que representa os deputados estaduais e as 27 Assembleias Legislativas do Brasil.
O foco desta participação foi reafirmar a necessidade de envolvimento do legislativo estadual e municipal, e dos prefeitos, para o cumprimento das metas nacionais. A nova publicação deve ser distribuída justamente como ferramenta de Educação para Clima entre prefeitos e líderes do legislativo municipal de todo Mato Grosso.
A proposta da publicação também é de apontar possíveis soluções. A agricultura foi um dos setores que mais contribuiu com as reduções de emissões do mundo, tendo como foco ações que aconteceram no Brasil. Esse é um exemplo de um setor apresentado no livro como um possível caminho de enfrentamento.
A publicação ficará disponível para download, após o lançamento, no site:https://juliocamposmt.com.br/


