Artigo: Júlio Campos
No Dia Mundial do Meio Ambiente, 05 de junho, gostaria de relembrar a todos gestores e cidadãos que precisamos defender as árvores em Mato Grosso. Não é mais admissível que podas drásticas e a falta de visão permita que as cidades percam sombras centenárias – um crime que vai além do presente e terá consequências futuras para os jovens e crianças mato-grossenses.
Essa semana, lançamos o livro, Indicadores do Clima em Mato Grosso, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, com um compilado de estudos e debates sobre o futuro climático do estado. A mais dura constatação é que as ondas de calor são cada vez mais frequentes e intensas, como a que vivemos em 2023, com mais de 30 dias a 45 e 50 graus diários.
A publicação traz conceitos fundamentais e, também, recomendações para os próximos anos. A ideia é apoiar o Estado, que até hoje não tem um Plano Estadual de Adaptação às Mudanças Climáticas integrado e estruturado, para que esse planejamento seja concluído e executado o mais rápido possível.
Todas as ações relacionadas à crise do clima são urgentes. Este ano já sabemos que existe 80% de chance de enfrentarmos novamente um El Nino, o fenômeno de aquecimento das águas do oceano que impacta todo planeta. As lembranças da seca extrema e as queimadas de 2021 ainda estão vivas na memória de todos mato-grossenses. E, segundo estimativas dos pesquisadores, o que podemos enfrentar a partir deste ano será algo mais intenso.
Como gestores e legisladores precisamos estar preparados para que os cidadãos, sobretudo os mais humildes, não sofram com enchentes, falta de água, apagões de energia e o aumento de doenças, como Dengue, Zika, Chikungunya e Covid-19.
Precisamos apoiar os 142 municípios para construírem políticas públicas capazes de reduzirem os problemas que as mudanças climáticas vão desencadear. Mesmo que o prognóstico do El Nino não se realize este ano, as pesquisas dos cientistas da ONU, contidas nesta publicação, mostram que a partir de 2030, ou seja em menos de cinco anos, o clima começa a mudar de forma irreversível a curto e médio prazo.
O calor será um problema de saúde pública regional. Todos os 142 municípios do Estado enfrentarão este problema até 2030, indo além dos municípios da Baixada Cuiabana, frequentemente os mais atingidos. Se não é mais possível reverter essa previsão a médio e curto prazo, precisamos urgentemente adaptar as nossas cidades para um futuro (muito) mais quente.
No contexto das cidades não há nada mais eficaz do que a arborização urbana. Realizar plantios planejados e proteger as árvores que existem é uma ação simples e barata, e que pode significar muito, sobretudo para a população que depende de transporte público.
Ruas arborizadas além de belas, ajudam a reduzir ilhas de calor, reduzem a impermeabilidade do solo, protegendo às cidades contra enchentes.
As árvores criam uma verdadeira infraestrutura verde essencial, transformam o microclima e protegem diretamente a população contra eventos extremos. Estudos apontam que áreas arborizadas registram temperaturas de 5°C a 10°C menores se comparadas a calçadas expostas.
As árvores também podem apoiar a saúde mental dos mato-grossenses. Não há toa cidades arborizadas, como Curitiba, figuram entre as que mais qualidade de vida promovem aos seus habitantes. O contato visual com a natureza urbana reduz níveis de estresse, ansiedade e depressão, o Mal do Século.
Como parlamentar sigo apoiando alternativas. Sabemos que juntos podemos também vencer a Crise Climática. Ainda há muita esperança e espaço para transformações. O uso de boas práticas na produção agrícola e a proteção de nossas florestas, como captadores e fixadores de carbono são caminhos que podem colocar Mato Grosso no ranking dos que conseguiram executar soluções em escala mundial.
Mas, para as cidades, cuidar das áreas verdes é uma obrigação. Esse é um apelo que faço à população e aos gestores municipais, plantar e cuidar de uma árvore é garantir o futuro. Cuiabá a antiga cidade verde se apequenou ao permitir a destruição de suas árvores, mas pode ressurgir como exemplo para todo o Estado. Ainda há tempo e esperança.


